Ações Coletivas : Instrumentos de política fundamentais para mobilizar as PME para a economia circular

Num contexto em que a pandemia nos lembrou a nossa fragilidade humana no planeta em que habitamos  e em que a atividade económica global teve uma quebra de 50% em setores cruciais  como a indústria automóvel, o transporte aéreo e o turismo, a Comissão Europeia apresentou a 27 de maio de 2020 um plano de recuperação verde, com destaque para as energias renováveis, a mobilidade limpa e a economia circular

De acordo com o World Economic Forum, a recuperação da crise do coronavírus é uma oportunidade para se redesenhar uma economia sustentável e inclusiva, revitalizar a indústria, preservar sistemas vitais de biodiversidade e combater as mudanças climáticas.

Existe apenas um planeta Terra mas, em 2050, o mundo consumirá como se existissem três. O consumo mundial de matérias-primas, como a biomassa, os combustíveis fósseis, os metais e os minerais, deverá duplicar nos próximos quarenta anos, , prevendo-se que a produção anual de resíduos aumente 70 % até 2050.

Para as empresas, o facto de colaborar na criação do quadro estratégico para sustentabilidade dos produtos abrirá novas oportunidades na UE e no resto do mundo.

Esta transição, gradual mas irreversível, em direção a um sistema económicosustentável, constitui um elemento indispensável da nova estratégia industrial da UE.

A economia circular é uma nova forma de pensar o nosso futuro e como nos relacionamos com o planeta, dissociando o crescimento econômico e o bem-estar humano do consumo crescente de novos recursos. Para isso, materiais circulam no máximo de seu valor como nutrientes técnicos ou biológicos em sistemas industriais integrados, restaurativos e regenerativos.

O desenho intencional de novos produtos e processos possibilita o aproveitamento inteligente dos recursos que já se encontram em uso no processo produtivo. Os resíduos se tornam nutrientes em novos processos – e produtos ou materiais podem ser reparados, reutilizados, atualizados ou re-inseridos em novos ciclos com mesma qualidade ou superior, ao invés de serem jogados fora.

A economia circular contrasta com o processo produtivo atual, que tem a prática de ‘extrair-produzir-descartar’, e é o que chamamos de economia linear.

Num sistema linear, o crescimento econômico depende do consumo de recursos finitos, o que traz o risco iminente de esgotamento de matérias-primas. Com menos recursos disponíveis, há custos cada vez mais elevados de extração, o que traz instabilidade e insegurança em relação ao futuro.

Além dos problemas associados à extração insustentável de recursos, ocorre também a contaminação decorrente da produção e descarte de produtos. O modelo linear gera um volume sem precedentes de resíduos inutilizados e potencialmente tóxicos para os seres humanos e os sistemas naturais.

Esta mudança profunda na forma de olhar a produção precisa de ser assimilada pelas empresas.

E é neste contexto que   instrumentos de política como as ações coletivas são fundamentais. Elas correspondem a iniciativas orientadas para o interesse geral através da disponibilização de bens tendencialmente públicos, fortemente mobilizadores e com elevadas externalidades positivas, visando a promoção de fatores de competitividade de finalidade coletiva. 

Nesta edição apresentamos lhe três projetos orientados para as PME portuguesas, focados na sua capacitação para lidar com os novos desafios da sustentabilidade e para integrar, nos seus modelos de produção, de gestão e de negócio, os princípios estabelecidos pelos objetivos de desenvolvimento sustentável. 

- Sustainable Act: projeto inovador no âmbito do Desenvolvimento Sustentável

Em declarações ao COMPETE 2020, Rui Coutinho, Executive Director for Innovation and Growth da Porto Business School revela «o grande desafio da nossa geração: atrevermo-nos a colocar a Inovação e a Transformação Digital ao serviço de um desenvolvimento social, económico e ambiental mais inteligente».

- EcoEconomy 4.0 - Um projeto desenhado para criar competências sustentáveis nas PME

Promovido pela AEPORTUGAL, pretende promover o conhecimento e a adoção de práticas inovadoras e mais sustentáveis económica e ambientalmente por parte das PME - nomeadamente as industriais, com maiores desafios a este nível -, qualificando-as para um uso mais eficiente e eficaz dos recursos materiais e energéticos, incluindo exemplos de utilização de tecnologias digitais inovadoras da Indústria 4.0 potenciadoras.

Projeto "Be Smart – Be Circular” quer sensibilizar as PME nacionais para a importância do setor dos resíduos

Promovido pela Associação Smart Waste Portugal (ASWP) o projeto envolve  a criação de  uma plataforma nacional, que fomente o resíduo como um recurso, agindo em toda a cadeia de valor do setor.

Dos seus objetivos, fazem parte o desenvolvimento de atividades inovadoras, nomeadamente soluções que permitam criar um sistema de troca de resíduos e matérias-primas, de modo a maximizar o seu proveito económico, diminuindo a necessidade de extração de recursos e os impactos ambientais negativos associados

 

 

 

13/08/2020 , Por Paula Ascenção