Empreender 2020 - Regresso de uma geração preparada

 

Enquadramento

Face à conjuntura atual, desenhada sobre os contornos da crise e da recessão recente da economia portuguesa, assiste-se a um cenário de fluxo emigratório em que os jovens abandonam o país por algo mais do que a simples busca de emprego, procurando agora uma carreira, o reconhecimento da sua formação e das suas competências: um futuro. Se há uns anos emigrar era opção para os mais ambiciosos e destemidos, hoje em dia, é a solução para manter acesa a chama do indeclinável direito de alcançar uma oportunidade profissional.

Este êxodo nacional acarreta consigo uma série de preocupações para o país, nomeadamente o impacto demográfico, com consequências óbvias ao nível do desenvolvimento económico e social.

Para além das estatísticas, a emigração do século XXI apresenta novos contornos nomeadamente ao nível das qualificações, acarretando consigo uma nova problemática. Embora 60% da população emigrada continue a ter a escolaridade básica, a percentagem dos diplomados do ensino superior na população portuguesa emigrada nos países da OCDE cresceu mais de 50%, passando de 7%, em 2001, para 17%, em 2011 (Observatório da Emigração, 2014).

Se o panorama da emigração já representava uma fragilidade para Portugal a nível demográfico, esta tendência exponencial do novo perfil de emigrantes introduz, no país uma ameaça em termos económicos.

Dos cerca de mais de 128 mil portugueses que deixaram o país em 2013 (Portugal Digital, 2014), a grande maioria são jovens qualificados, entre os 25 e os 34 anos, as grandes vítimas do desemprego nacional (DN Opinião, 2012).

Assim, assiste-se a um cenário preocupante, não só pela perda de competências e da tão imprescindível mão-de-obra qualificada, como pela perda de valor económico, mas também, pela ausência de uma intenção de regresso a curto/médio prazo, por parte deste jovens emigrantes, que se torna necessário contrariar.

Neste contexto, a Fundação AEP posiciona-se como uma das entidades envolvidas no esforço para contrariar esta tendência, contribuindo, no âmbito das suas competências, para a definição e implementação de uma estratégia integrada de apoio ao regresso desta geração qualificada, promovendo o espirito empresarial e criando condições favoráveis para o seu regresso, na captação e fixação de talentos capazes de dinamizar a criação de novas empresas e de gerar riqueza para o País.

                                                                 

Testemunho

do Dr. Paulo Nunes de Almeida, Presidente da Fundação AEP

 

Na última década Portugal assistiu a um crescimento da emigração portuguesa que se deveu a vários fatores, entre os quais o fraco desempenho económico, o aumento do desemprego e a implementação de um conjunto de políticas de austeridade. Este fenómeno atingiu particularmente as gerações mais jovens e qualificadas, gerando movimentos emigratórios assinaláveis, sobretudo ao nível dos países europeus, tendo produzido importantes impactos demográficos, sociais e económicos no País.

Mas a verdade é que contamos, nos dias de hoje, com uma diáspora altamente qualificada, cujos elevados níveis de conhecimento e experiência internacional são importantes para o País, num contexto de globalização da economia. Apesar da suavização da crise e das profundas alterações que se têm vindo a verificar na Europa (Brexit, movimentos anti-imigração em vários países da Europa, etc.) que indiciam uma expetativa de regresso de muitos destes jovens, o fenómeno da emigração vai continuar, face às principais características desta nova geração. Em face disto, Portugal deve ser capaz de aproveitar esta rede de contactos internacional, altamente qualificada, para apoiar o crescimento económico, mesmo que não seja através do seu regresso físico, estimulando as capacidades empreendedoras e os laços de pertença ao País.

Foi com este desígnio que a Fundação AEP apresentou ao COMPETE 2020 o projeto Empreender2020 – Regresso de uma Geração Preparada, através do qual foi possível estudar aprofundadamente as características desta nova geração e avaliar as suas expetativas de regresso ou de relacionamento com as empresas 

portuguesas, construir um modelo prospetivo de desenvolvimento capaz de assegurar a capitalização deste conhecimento, criando de uma rede internacional de informação e suporte a empresas, emigrantes,  investidores, centros de investigação e outras partes interessadas em capitalizar estes recursos em benefício da economia nacional.

Esta é uma estratégia nacional que não se esgota com a realização deste projeto e cujo apoio recebido por parte do COMPETE 2020 permitiu um compromisso alargado a diversas entidades governamentais, formalizado num protocolo de colaboração entre a Fundação AEP, o Ministério dos Negócios Estrangeiros, a Alto Comissariado para as Migrações e a AICEP. É necessário continuar a apostar na criação de condições favoráveis ao relacionamento com a diáspora portuguesa, construindo e potenciando redes, aproveitando sinergias, estimulando as capacidades empreendedoras dos jovens espalhados por diversas geografias, mas sobretudo acreditando que estes constituem um enorme potencial para o crescimento de Portugal e para a globalização da nossa economia! 

 

O Projeto

O projeto “Empreender 2020-O Regresso de uma Geração Preparada” procura dar resposta a um problema nacional traduzido na ausência de um ambiente favorável à fixação no País, de uma geração de jovens qualificados, no reduzido estímulo empreendedor da envolvente, que favorece uma forte aposta desta geração na procura de outros destinos mais atrativos.

O objetivo central e estratégico do projeto é contribuir para que o País equacione e promova o regresso destes jovens na próxima década, com base no empreendedorismo qualificado e na inovação, tanto quanto possível criando condições mais favoráveis para a concretização dos seus projetos empresariais e pessoais e, potenciando desta forma, a mobilização deste capital de conhecimento único e imprescindível para um crescimento económico sustentado.

A realização deste projeto contribui ainda para o combate aos défices estruturais de qualificação e inovação que ainda persistem no nosso País, na medida em que permite alavancar intervenções no domínio da captação e retenção de quadros com elevados níveis de conhecimento.

Em simultâneo, o projeto prevê também a construção de ferramentas potenciadoras do espirito empresarial, e de dinamização da cooperação baseada numa rede empresarial entre a população emigrada e contexto empresarial nacional, integradoras de outras iniciativas que possam vir a concretizar-se no futuro. Prevê ainda o lançamento de um programa que tem por objetivo específico potenciar sinergias entre a rede de empresários portugueses espalhados pelo mundo, estimulando e apoiando a replicação dos seus negócios em Portugal, estimulando o seu regresso e reintegração social e económica.

Face a estes desafios delineados pela Fundação AEP, o projeto Empreender 2020 tem os seguintes objetivos operacionais:

- Realizar um levantamento exaustivo do capital humano detentor de elevadas competências, técnicas e educativas, expatriado para outros países;

- Avaliar o potencial de retorno desse capital humano e o estimar o seu impacto no desenvolvimento económico do País;

- Identificar as condições que favoreçam esse retorno e desenhar cenários concretos de atuação com vista ao regresso desta geração;

- Debater um modelo de desenvolvimento capaz de acolher esta geração;

- Promover a capacitação dos agentes e dos potenciais empreendedores para o empreendedorismo;

- Divulgar oportunidades de empreendedorismo qualificado e criativo, e reforçar o relacionamento empresarial na Diáspora;

- Criar uma rede internacional de informação e suporte a estes empreendedores;

- Desenvolver um programa de apoio aos empresários que se encontram espalhados em diversas geografias.

 

Apoio

O projeto promovido pela Fundação AEP conta com o apoio do COMPETE 2020 no âmbito do Sistema de Incentivos a Ações Coletivas (SIAC), envolvendo um Investimento elegível de 868 mil euros o que resultou num Incentivo de 738 mil euros.

11/08/2017 , Por Miguel Freitas