Águeda: capital da bicicleta ganha player de peso

Com o apoio do COMPETE 2020, a FJ Bikes Europe vai produzir bicicletas de gama média-alta e eléctricas, criando 100 postos de trabalho diretos.

 

1. Síntese

No âmbito do presente projeto apoiado pelo COMPETE 2020, foi criada uma nova empresa (FJ Bikes Europe) que produzirá em Portugal, bicicletas de gama média-alta - em alumínio e em carbono - e bicicletas elétricas, destinadas às OEM de bicicletas europeias, detentoras das mais conhecidas marcas de bicicletas desta gama utilizadas no desporto (BTT e estrada) e lazer. 

Estas bicicletas colmatarão a insuficiência que se sente na Europa, devido à dependência dos produtores asiáticos e que neste momento não conseguem satisfazer a procura sentida a nível europeu. 

Neste momento, não existe em Portugal qualquer produtor de relevo deste tipo de produto e na Europa também não existem empresas de relevo que forneçam bicicletas completas às OEM para serem comercializadas com as suas marcas. Desta forma,  mais de 85% da produção da FJ Bikes Europe será canalizada para exportação e 15% à substituição de importações.

Esta situação permitirá à empresa implementar uma estratégia de crescimento, com a produção destinada a um sector considerado prioritário e essencialmente para a exportação, dando um forte contributo para a empregabilidade na região de Águeda, em especial emprego qualificado.

 

2. Apoio do COMPETE 2020

O presente projeto foi cofinanciado pelo COMPETE 2020 – Programa Operacional Competitividade e Internacionalização no âmbito do Sistema de Incentivos à Inovação Produtiva.

O projeto envolveu um investimento elegível de cerca de 6.297 mil euros, dos quais 3.762 mil euros são provenientes do FEDER - Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional.

 

3. Descrição do projeto

  • Enquadramento

As OEM europeias e americanas que fabricam bicicletas debatem-se atualmente com a falta de capacidade de fornecimento de componentes para as suas linhas de produção que são importados maioritariamente da Ásia. A Europa importa anualmente cerca de 6 milhões de bicicletas e destas, uma parte são bicicletas de gama-média alta. As empresas europeias e americanas, detentoras de grandes marcas de prestígio de bicicletas de gama média alta, em alumínio e em carbono, recorrem habitualmente à indústria taiwanesa para a fabricação dessas bicicletas.

Em Portugal não existem empresas que produzam bicicletas dessa gama para OEM europeias e marcas como a Cannondale, Trek, Scott, Specialized, entre outras.

A FJ Bikes Europe foi criada com o objetivo de fornecer estes clientes europeus e americanos e também nacionais do mesmo setor. Os seus clientes, que numa primeira fase serão OEM de bicicletas europeias e americanas, estão situados, nomeadamente, no Reino Unido, Holanda, Itália, Áustria, Alemanha, EUA e Canadá, e pretendem produtos de boa qualidade, em quantidade e com prazos de entrega aceitáveis.

Neste momento, assiste-se a um aumento progressivo do preço dos produtos de ciclismo provenientes de países asiáticos e prazos de entrega superiores a 6 meses, pois a capacidade daquela zona está a ser tomada pela sua própria procura interna. Esta situação está a criar uma série de problemas logísticos aos produtores europeus de bicicletas que vêm a sua competitividade comprometida, em termos de preços, qualidade e prazos de entrega. Além disso, a incorporação de componentes asiáticos tem algum efeito psicológico negativo no consumidor final europeu, que os associa, muitas vezes, a problemas de qualidade e ambientais.

  • A FJ Bikes Europe

Com este projeto foi criada uma nova empresa - FJ Bikes Europe - que lançará novos produtos (bicicletas de gama média-alta, em alumínio e carbono e bicicletas elétricas), ainda não fabricados a nível nacional, com o intuito de fornecer OEM da área do ciclismo e consumidores finais.

Esta empresa vai usar, como matérias-primas alumínio, fibra de carbono e componentes mecânicos e eletrónicos de alta tecnologia, recorrendo a tecnologias inovadoras de produção, pintura/acabamento, montagem e armazenamento.  Serão criados, numa primeira fase, 100 postos de trabalho diretos (sendo 11 licenciados e 14 técnicos especialistas), e está previsto iniciar em 2018 a sua atividade produtiva, de modo a poder satisfazer a procura do mercado nacional e exportar mais de 85% da sua produção (15% para substituição de importações).

Em suma, com a  criação desta empresa serão explorados em Portugal dois nichos de mercado, a saber: a produção de bicicletas de gama média-alta e de bicicletas elétricas. Estes tipos de produtos ainda não têm concorrência a nível nacional. 

A FJ Bikes Europe entrará no mercado fornecendo bicicletas para as grandes OEM europeias, mas também com marca própria, pois tem como objetivo a criação dos seus próprios designs, com o gabinete de conceção e desenvolvimento que irá criar. A produção de bicicletas de gama alta é uma contribuição relevante para o valor acrescentado nacional pela valorização da mão de obra.

A produção pela diferenciação daqueles produtos baseia-se: - No Know-how, na inovação e na tecnologia de ponta utilizada pela Fritz Jou Mfo. Co. Ltd  e  - Na longa experiência dos sócios, na indústria transformadora, particularmente no ciclismo. Este projeto, numa primeira fase com um investimento na ordem dos 8.200.000 Euros, será financiado maioritariamente com capitais estrangeiros (3 milhões de Euros) e iniciará a sua atividade produtiva em 2018.

  • Objetivos estratégicos

    •    Produção de bicicletas de gama média-alta e elétricas, não produzidas em Portugal, incorporando como matérias-primas fibra de carbono e alumínio e, ainda, acessórios mecânicos e elctrónicos de alta tecnologia.

     •    Ser líder no mercado nacional e ter um lugar de destaque no mercado europeu.

    •    Exportar mais de 85% da sua produção (15% substituição de importações).

     •    Atingir uma taxa de EAQ elevada (admissão de 11 pessoas com habilitações de nível VI ou superior).

  • Inovação 

Não existem no mercado nacional produtos semelhantes fabricados em Portugal, ou seja, bicicletas de gama média alta, feitas em alumínio ou em carbono. Na Europa e EUA as OEMs do setor do ciclismo são obrigadas a subcontratar, por falta de capacidade e de preços competitivos, a países asiáticos a fabricação de parte das suas bicicletas de gama média-alta e elétricas. O lançamento destes produtos nos mercados nacional e europeu, fabricados por uma empresa europeia visa diminuir as importações em Portugal destes produtos, aumentar as exportações para o mercado europeu e diminuir a dependência europeia dos fornecedores asiáticos.

Estas atividades têm um grau de novidade para o mercado nacional.

  • O processo produtivo especialmente projetado para o fabrico de bicicletas de gama média-alta para desporto lazer, nas versões BTT e estrada e bicicletas elétricas, em alumínio ou em fibra de carbono, contará com a implantação de equipamentos desenvolvidos especialmente para a área produtiva de produção de bicicletas.

 

  • Localização

A FJ BIKES EUROPE possuirá uma excelente localização das suas instalações na zona industrial do Casarão, em Águeda, ocupando uma área de 62.000 m2, próxima das principais infraestruturas viárias do país. A cidade de Águeda está há muito no epicentro da indústria de duas rodas, tendo vindo a demonstrar capacidade de se adaptar aos desafios de um mundo globalizado e que exige maior sustentabilidade e respeito pelo ambiente.

A implementação da empresa na região de Águeda permitirá a existência de um cluster envolvendo fabricantes de componentes, montadores de bicicletas, Universidade de Aveiro, IEFP, Associações Industriais, Laboratórios de Certificação ABIMOTA) e Poder Local, contribuindo para a consolidar a indústria de duas rodas na região.

Com a FJ Bikes Europe, o concelho de Águeda, já conhecido pela capital da bicicleta, tornar-se-á definitivamente o principal polo de desenvolvimento da indústria da bicicleta (cluster) nacional e europeu, contribuindo decisivamente para o crescimento e desenvolvimento de todas empresas industriais da região (efeito de arrastamento).

Terá, desta forma, forte impacto no sector das duas rodas mediante:  - Na cadeia de valor a montante e a jusante pela utilização e valorização de inputs das PMEs com atividades complementares;

- Potencia a criação de novas empresas e de emprego;

- Contribui para a difusão de tecnologia inovadoras;

- Potencia o desenvolvimento associativo através da ABIMOTA;

- O cluster de Águeda estimula a complementaridade tecnológica e a partilha de riscos entre empresas.

A existência de um cluster envolvendo fabricantes de componentes, montadores de bicicletas, Universidade de Aveiro, IEFP, Associações Industriais, Laboratórios de Certificação e Poder Local contribui para a consolidar a indústria de duas rodas na região.

O concelho de Águeda, já conhecido pela capital da bicicleta, tornar-se-á num dos principais polos de desenvolvimento da industrial de bicicleta a nível europeu, contribuindo para:

- Fixar muitos players europeus e mundiais; - Consolidar o Cluster de Águeda e tornar este concelho uma referência europeia pelo seu contributo para a mobilidade sustentável.

O presente projecto terá igualmente grande relevância na economia nacional: - Garante as exportações das bicicletas de gama alta para os mercados prioritários e substitui importações das mesmas;  - A produção de bicicletas de gama alta é uma contribuição relevante para o valor acrescentado nacional pela valorização da mão-de-obra; - O investimento direto estrangeiro é fonte de financiamento, de tecnologia e de criação de valor; - Efeito de arrastamento no crescimento do PIB, pela via do investimento e emprego e de grande contribuição para o equilíbrio da Balança de Pagamentos.  

11/10/2016 , Por Cátia Silva Pinto
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