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Continental Mabor: Leia a entrevista de Pedro Carreira, Presidente do Conselho de Administração

Não perca a entrevista a Pedro Carreira, Presidente do Conselho de Administração da Continental Mabor, uma das maiores exportadoras nacionais especializada na produção de pneus, sediada em Lousado, concelho de Vila Nova de Famalicão, distrito de Braga. Saiba como, com o apoio do COMPETE 2020 no âmbito do projeto Agro Tires, a empresa expandiu a atividade para uma nova área de negócio: pneus agrícolas. “De salientar que, no caso deste projeto, o apoio dos fundos comunitários foi fundamental para atrair o investimento para Portugal por parte da Continental AG, em detrimento das outras empresas do Grupo”, acrescenta o mesmo responsável.

 

 

Entrevista a Pedro Carreira

Presidente do Conselho de Administração da Continental Mabor

 

 

Como surgiu a Mabor?

A Continental Mabor – Indústria de Pneus S.A. teve o seu arranque industrial em 1990 como resultado da "joint-venture" entre a Mabor Manufactura Nacional de Borracha, e a Continental AG, de Hannover. Em 1990 a Continental AG detinha 60% do capital social, adquirindo o restante em 1993 passando assim a ser a única acionista. 

O projeto de reestruturação que reformulou as antigas instalações industriais começou logo em 1990. Este primeiro projeto teve a duração de cinco anos e incluiu profundas alterações quer ao nível das instalações, equipamentos e produtos, mas teve também um foco muito grande na requalificação dos colaboradores e na melhoria das condições de trabalho. 

Desde 1990 que a Continental tem investido ininterruptamente na unidade de Lousado, em projetos de expansão, em novos produtos com maior valor acrescentado, mas também mais recentemente em novas áreas de negócio como é o caso do projeto Agro Tires.  Atualmente, com mais de 2 060 colaboradores no quadro permanente, a Continental Mabor produz pneus para veículos ligeiros e SUVs (Sport Utility Vehicles) de várias medidas e marcas, produz pneus ContiSeal e ContiSilent e mais recentemente, como é do conhecimento público, produz pneus agrícolas.  Da nossa produção 98% tem como destino a exportação para um vasto universo de mercados cuja lista inclui 67 países, abastecendo tanto o mercado de equipamento de origem como o mercado de substituição. 

 

Quais os principais desafios com que se depararam no desenvolvimento do projeto Agro Tires?

A maior barreira foi conseguir trazer o projeto para Portugal ultrapassando outras empresas do grupo que, pela sua localização geográfica, ou pelo espaço circundante ou pelas condições de impostos e incentivos dos seus países, estariam logo à partida bem à nossa frente. 

Deparámo-nos também com o desafio ao nível técnico porque se tratava de um novo segmento de negócio e o Grupo Continental não tinha ainda experiência nesta área. A própria formação da equipa foi também um enorme desafio para nós. 

Também o mercado de pneus agrícolas é um desafio, na medida em que se trata, como já referido, de uma nova área de negócios para a Continental. 

 

O que consideram ser crítico para o sucesso da vossa estratégia?

Um dos pontos críticos que de certa forma dificulta, ou dificultava, o sucesso da nossa estratégia são os acessos. Foram um ponto extremamente crítico no desenvolvimento da nossa fábrica e que acabaram por marcar e condicionar um pouco a nossa estratégia de crescimento durantes algumas décadas. Daí que me tenha corrigido no tempo verbal, pois estamos em crer que, com os últimos desenvolvimentos que temos vindo a acompanhar, este será um ponto crítico em vias de resolução. 

As elevadas taxas de impostos que existem em Portugal, nomeadamente o IRC dificultam a “saúde” das empresas e afetam a sua capacidade competitiva em relação a empresas de outros países. 

Por último, e uma vez que somos uma empresa vocacionada para a exportação, obviamente que a volatilidade da economia mundial, as incertezas em relação ao Brexit ou às taxas aduaneiras nos Estados Unidos, ou ainda a instabilidade política noutros países, são pontos sensíveis e que podem ter impacto no sucesso do nosso negócio.   

 

Quais são os vossos objetivos para 2019?

O objetivo da empresa é continuar a crescer de forma sustentada. Por um lado, aumentar a produtividade e a eficiência, mas também crescer ainda mais na área da inovação, na melhoria da qualidade dos seus produtos e serviços. Por outro lado, continuar a apostar na formação e qualificação dos nossos colaboradores e continuar a valorizar ainda mais a região em que estamos inseridos. Pretendemos também aumentar o nosso contributo para o progresso da economia regional e nacional e que consideramos ser de elevada importância. 

Pretendemos obviamente incrementar o negócio dos pneus agrícolas que é a área onde estamos ainda a dar os primeiros passos. Esperamos um dia que esta venha a ser mais uma área de negócio onde a Continental cresça, como acontece no negócio dos pneus ligeiros. 

Já nessa área, de pneus ligeiros, a Continental Mabor continuará a trabalhar para ultrapassar a fasquia dos 19 milhões de pneus produzidos num só ano, como resultado dos novos investimentos que estão orientados não só para o aumento da produção mas também para a melhoria das condições de trabalho e ambiente.  E ainda, quem sabe, trazer mais alguma área de negócio que faça sentido para nós, permitindo-nos realizar este crescimento de forma sustentada, com um aumento do portefólio de produtos que produzimos. 

 

Qual o contributo dos Fundos da União Europeia para o percurso da vossa empresa?

A Continental Mabor, desde que foi criada há cerca de 28 anos atrás, cresceu muito e evoluiu ainda mais, não apenas devido aos investimentos feitos pelo nosso acionista, a Continental AG, mas também com o apoio do Estado Português e dos Fundos da União Europeia, como foi o caso do programa Portugal 2020 que apoiou o projeto Agro Tires. De salientar que, no caso deste projeto, o apoio dos fundos comunitários foi fundamental para atrair o investimento para Portugal por parte da Continental AG, em detrimento das outras empresas do Grupo. 

Na nossa opinião, os fundos comunitários são cruciais para a contínua atração do investimento direto estrangeiro em Portugal e para o crescimento e sustentabilidade das empresas. Entendemos que estes apoios, quando são bem aplicados pelas empresas, nomeadamente na qualificação dos seus trabalhadores, têm um retorno extremamente positivo para o País. 

A Continental Mabor tem vindo a contribuir de forma decisiva para o aumento do número de postos de trabalho e para o fortalecimento da coesão e inclusão social ao longo do tempo. Nos últimos cinco anos fizemos investimentos de mais de 306 milhões de euros. Em particular, o projeto de investimento Agro Tires rondou os 49 milhões de euros. 

Num raciocínio simples, comparando a média dos valores dos últimos 3 anos face ao ano de 2014, por cada milhão de euros de benefícios fiscais ao investimento recebidos, a empresa devolveu ao Estado Português cerca de 3,5 milhões de euros.

 

 

 

Links úteis

Continental Mabor quer produzir pneus agrícolas radiais”  

06/08/2018 , Por Cátia Silva Pinto
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