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THoR: Investigação portuguesa inovadora expõe novo conceito de transmissão de material genético entre células tumorais

Esclarecer os possíveis mecanismos como se propagam as mutações de resistência às terapias entre células tumorais é o principal objectivo deste projecto, promovido pela IPATIMUP e co-financiado pelo COMPETE 2020.
 
 
THoR - Transferência horizontal de resistência à terapia: mudança de paradigma na monitorização de pacientes com cancro
 
 
1. Síntese
 

Em declarações ao COMPETE 2020, José Luís Costa, responsável pelo projecto THoR, sintetiza o âmbito do projecto e a razão de ser tão inovador.

 

«O uso de terapias direcionadas melhorou consideravelmente o tratamento de doentes com cancro. Contudo, apesar dos benefícios, a maioria dos pacientes elegíveis para estas terapias desenvolvem mecanismos de resistência. A resistência resulta do crescimento de células neoplásicas que, por serem detentoras de mutações de resistência, deixam de ser sensíveis à terapia. Os mecanismos celulares e moleculares através dos quais estas mutações se propaguem entre células tumorais não estão completamente esclarecidos. A nossa hipótese é que, para além da transmissão vertical (mitose), a transmissão horizontal também está envolvida na transferência de mecanismos de resistência às terapias entre células tumorais. 
 
Para testar a nossa hipótese estabelecemos dois objectivos: 
(i) demonstrar que os mecanismos de resistência à terapia são transferidos entre células tumorais; e 
(ii) determinar se as células receptoras integram de forma estável os mecanismos de resistência à terapia. 
 
Estamos a realizar ensaios in vitro e in vivo para testar a nossa hipótese. Para validar os nossos resultados também vamos usar sangue periférico e amostras de tumores de doentes com cancro do pulmão elegíveis para tratamento com terapias dirigidas, obtidas no momento do diagnóstico e durante a monitorização da doença. 
 
O projeto é inovador porque é baseado num novo conceito de transmissão horizontal de material genético entre células tumorais. É significante porque a descoberta de que a resistência à terapia não depende exclusivamente da divisão, mas também da comunicação celular, terá um grande impacto no tratamento de doentes com cancro». 
 
A colaboração com a empresa Life Technologies, garante acesso privilegiado (sob termos de um acordo de desenvolvimento) a ferramentas exclusivas, que permitem a deteção de mutações com elevada sensibilidade. 
 
A multidisciplinaridade da equipa de investigação (biologia molecular e celular, modelos animais, genética, patologia e oncologia) resulta num ambiente propício à conclusão bem-sucedida dos estudos propostos. Os parceiros internacionais asseguram suporte adicional nas áreas mais específicas (modelos animais e sequenciação de célula individual).
 
 
2. Apoio do COMPETE 2020
 
O projeto conta com o apoio do COMPETE 2020 no âmbito do SAICT - Sistema de Apoio à Investigação Científica e Tecnológica, envolvendo um investimento elegível de 198 mil euros, o que resultou num incentivo FEDER de cerca de 168 mil euros.
 
 
3. Links
 

01/03/2018 , Por Cátia Silva Pinto
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