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PLASTICGLOBAL: qual o impacto de agentes químicos em redes alimentares marinhas?

Esta é uma das questões que o projeto liderado pelo CIIMAR com o apoio do COMPETE 2020 visa esclarecer, tendo em conta que o objetivo central consiste na avaliação da transferência de agentes químicos mediada por microplásticos em redes alimentares marinhas/estuarinas e os seus efeitos considerando cenários de mudanças climáticas globais.
 
 
1. Sobre o projeto PLASTICGLOBAL - Avaliação da transferência de agentes químicos mediada por plásticos e dos seus efeitos em redes tróficas de ecossistemas de profundidade, costeiros e estuarinos em cenários de mudanças globais
 
1.1 Enquadramento
 
“A contaminação do meio marinho por detritos de vários tipos é um paradigma global de difícil resolução. O lixo marinho é um tópico de investigação prioritário a nível internacional, sendo um Descritor (D10) da European Marine Strategy Framework Directive (MSFD). Os plásticos são um dos componentes principais do lixo marinho. As partículas de plástico de dimensões inferiores a 5 mm, conhecidas como microplásticos (MP), têm distribuição global e a capacidade de induzir efeitos físicos e químicos adversos em animais selvagens frequentemente levando à morte. Por isso, existe uma elevada preocupação relativamente aos potenciais efeitos dos MP e dos agentes químicos que eles podem conter na saúde ambiental e humana, especialmente após a sua incorporação nas redes tróficas marinhas. A transferência de agentes químicos via microplásticos e os seus efeitos estão pouco documentados, sendo necessário mais conhecimento para avaliar os riscos ambientais e assegurar a segurança do consumidor de espécies marinhas”, revelou ao COMPETE 2020 Lúcia Guilhermino, a investigadora responsável pelo projeto PLASTICGLOBAL.
 
1.2 Âmbito
 
“O objetivo central do PLASTICGLOBAL é avaliar a transferência de agentes químicos mediada por MP (microplásticos) em redes alimentares marinhas/estuarinas e os seus efeitos no biota considerando cenários de mudanças climáticas globais”, afirmou. 
“Na primeira parte do projeto serão determinados os MP (tipos, dimensões,…) e os agentes químicos a eles associados na coluna de água, sedimentos e biota de três tipos de ecossistemas: mar profundo (Arquipélago da Madeira), águas continentais (Portuguesas), e estuário (Rio Minho, rede Natura 2000)”, sublinhou Lúcia Guilhermino. “Na segunda parte do projeto, serão investigados experimentalmente a transferência de agentes químicos associados aos MP para os animais e nas redes tróficas e os seus efeitos”. 
 
1.3 Objetivos
 
O projeto PLASTICGLOBAL pretende responder a sete questões que são os objetivos específicos do projeto:
 
Q1 – Que tipos, dimensões e quantidade de MP existem na coluna de água, sedimentos e biota dos ecossistemas em estudo? 
Q2 - O Paging e estrutura dos MP influenciam a aderência versus libertação de agentes químicos no meio marinho e nas condições existentes no estômago dos animais? 
Q3 – Os MP químicos ingeridos ou retidos nas brânquias são transferidos para outros tecidos/órgãos? 
Q4 – Estão os MP químicos a afetar o estado de saúde de populações animais selvagens? 
Q5 – O aumento da temperatura e/ou da radiação UVB afetam a distribuição, biodisponibilidade, transferência e efeitos dos MP químicos? 
Q6 – O aumento da temperatura e/ou da radiação UVB aumentam o risco ambiental dos MP químicos? 
Q7 – Quais são as implicações da transferência de agentes químicos via MP e dos seus efeitos no biota para a segurança dos consumidores (humanos) de espécies animais marinhas?
 
1.4 Resultados Esperados
 
O PLASTICGLOBAL aumentará o conhecimento e a tecnologia obtidos pela equipa em projetos anteriores e a sua internacionalização. Contribuirá ainda para políticas ambientais públicas, prioridades de investigação e compromissos nacionais e internacionais e para a avaliação de risco ambiental e humano de agentes químicos. 
 
A equipa tem vasta experiência no diagnóstico de contaminantes ambientais e na avaliação dos seus efeitos e riscos, tendo coordenado/participado em mais de 40 projetos (vários internacionais) e publicado mais de 300 artigos no tópico, incluindo com MP (microplásticos). Tem toda a experiência necessária para desenvolver o projeto com sucesso.
 
O conhecimento sobre os MP na vasta área marítima sob jurisdição portuguesa (que inclui habitats de profundidade únicos na Europa) é escasso. Como tal, é necessário avaliar os efeitos dos MP químicos em organismos/biodiversidade de ecossistemas marinhos e na segurança alimentar humana e é urgente compreender melhor os efeitos de contaminantes ambientais isolados e em mistura, incluindo MP e MP químicos, do aumento da temperatura e da radiação UVB no biota marinho para avaliar e gerir riscos ambientais e humanos.
 
O PLASTICGLOBAL contribuirá para todos esses tópicos, pelo que se prevê que venha a ter elevado impacto científico a nível internacional.
 
 
2. Apoio do COMPETE 2020
 
2.1 Sistema de Incentivos 
 
O projeto PLASTICGLOBAL conta com o cofinanciamento do COMPETE 2020 no âmbito do SAICT - Sistema de Apoio à Investigação Científica e Tecnológica, envolvendo um investimento elegível de cerca de 200 mil euros, que resultou num incentivo FEDER de cerca de 128 mil euros.
 
2.2 Consórcio
 
Liderado pelo CIIMAR - Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental, participaram no projeto PLASTICGLOBAL as seguintes entidades: 
IPMA - Instituto Português do Mar e da Atmosfera  
IMAR - Instituto do Mar  
ICBAS-UP - Instituto de Ciências Biomédicas de Abel Salazar da Universidade do Porto 
 
2.3 Testemunho sobre a mais-valia do financiamento
 

 

Em declarações ao COMPETE 2020, Lúcia Guilhermino, investigadora responsável admite que “o apoio do COMPETE 2020, incluindo o financiamento atribuído ao projeto PLASTICGLOBAL, é de importância crucial para a execução do mesmo, nomeadamente para a realização das missões para recolha de amostras biológicas e abióticas, do trabalho experimental em laboratório e de outras atividades incluindo ações de disseminação do projeto e dos seus resultados de forma a poderem ser atingidos os objetivos e indicadores previstos”.

 

 
3. Links Úteis
 

24/05/2018 , Por Cátia Silva Pinto
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